16/09/2022 às 18h38min - Atualizada em 16/09/2022 às 18h20min

NAQUELE TEMPO

(Para a dona Odete)

Fredo Júnior

Fredo Júnior

Esperança!

Fredo Júnior
Arquivo pessoal.
A saudade tem cheiro, cor e sabor. Lembrança de boas recordações.
 
Naquele tempo a ostentação (rs) era provar o bauru da lendária Tekinfin, a principal casa do "circuito lancheiro" da cidade.
 
A ela se juntaram o Bar do Aldo, Deval, Nilo e Báccaro, que compuseram uma época de extrema qualidade neste serviço em Araras.
 
Havia ainda a "rede" de carrinhos do Ferrara, espalhados pela Praça Barão e também no Lago Municipal.
 
Mas bom mesmo era o "pop dog" que ficava bem ali na lateral do "predião" em frente à Loja Cem.
 
De vez em quando, ao sair da igreja, minha mãe comprava para lancharmos no domingo à noite.
 
Naquele tempo éramos apenas ela e eu. Meu velho estava lá na divisa do Mato Grosso com o Pará trabalhando duro pelo sustento da família.
 
E assim como a maioria das famílias, também lutávamos para esticar o dinheiro do orçamento.
 
Nossa vida sempre foi simples, mas minimamente confortável.
 
Por esses dias o meu coração foi abraçado.
 
Em uma loja de variedades encontrei a "chapa" que a dona Odete usava para fazer os nossos lanches em casa e também para eu levar à escola.
 
A utilizei para o meu café da manhã.
 
E enquanto preparava o lanche - é preciso usar a técnica de untar o pão com manteiga ou margarina para ele não grudar na forma - fui visitado pela saudade, que por sua vez fez surgir este pequeno texto.
 
Não se trata do que julgamos ter, de onde estamos ou do "cargo" que ocupamos. Tudo isso é passageiro.
 
O que de fato importa é saber quem nós somos.
 
"I'm a long story" (eu sou uma longa história).
 
E nela, a dona Odete é protagonista.
 
A gente não precisa esperar uma data específica para dizer a alguém especial o quanto ela é importante.
 
Minha mãe sempre será.
 
De tão diferentes, acho que somos iguais.
 
Pode não parecer, mas apesar do meu jeito nada convencional de enxergar a vida, dentro de mim há um enorme conflito entre a emoção e a razão.
 
Eu não sou impassível, mãe.
 
Mas isto você sabe mais do qualquer pessoa.
 
Tenho pressa, fome e sede.
 
Naquele tempo era no teu colo que eu encontrava segurança e abrigo.
 
E ainda é.
 
❤️
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