15/07/2020 às 18h23min - Atualizada em 15/07/2020 às 18h12min

QUESTÃO DE OPINIÃO - 15 de julho de 2020

(*) A partir desta semana, a coluna política Questão de Opinião deixará de ser publicada na edição impressa do Opinião Jornal, e continuará sendo disponibilizada no site de notícias O Independente.

Fredo Júnior
27 MORTES
Nesta quarta-feira (15), a Vigilância Epidemiológica de Araras confirmou mais um óbito em decorrência da covid-19. A cidade alcançou a triste marca de 27 mortes relacionadas à doença. A Secretaria Municipal da Saúde investiga outras duas mortes suspeitas e aguarda o resultado dos exames para o diagnóstico dos casos. De domingo até hoje foram confirmados mais 148 casos da doença e até o momento foram registradas 891 ocorrências. A faixa etária com a maior incidência é a de 30 a 39 anos, com 239 registros. De acordo com boletim divulgado na sexta-feira (10), as regiões sudeste, leste e norte lideram o número de infectados na cidade.
 

ESTADO
No início da pandemia, as medidas de isolamento social governamentais foram tomadas com assertividade. Contudo, outras ações poderiam ter ocorrido. Também é verdade que o inimigo ainda não era totalmente conhecido. Mas o município, enquanto representante do Estado deveria cumprir o seu papel de forma mais objetiva, intervindo com mais efetividade nas fiscalizações do isolamento, mas sobretudo na economia local. Muitos profissionais, comerciantes e prestadores de serviços foram afetados em suas atividades, e o dever do Estado deveria ser atendê-los diante da crise instalada.
 
DESGASTE
Entre os observadores políticos em Araras existe o consenso de que falta ao governo uma visão periférica sobre este e outros temas. Os desastrosos episódios das divulgações de áudios em que o prefeito Júnior Franco (DEM) afirmou que o comércio seria reaberto e não o fez, além de outro, onde o vereador Marcelo de Oliveira (Republicanos) garantia a reabertura dos templos religiosos na cidade, o que também não ocorreu foram desgastes desnecessários, principalmente o segundo. Não há dúvidas de que o Governo Franco é bem-intencionado. O problema talvez sejam algumas pessoas em seu entorno – dentro e fora do governo – que, ao invés de ajudá-lo, acabam prejudicando o seu andamento.
 
TESTAGEM
Medidas como a compra e entrega de máscaras e álcool em gel poderiam ter sido feitas preventivamente no início da crise, e não somente nas últimas semanas. Assim como a testagem em massa, procedimento recém-anunciado pela Prefeitura de Araras como “ampliação” para a realização de 20 mil testes. Esses exames serão realizados em pacientes com sintomas suspeitos da covid-19, atendidos nos postos de testagem e pertencentes aos grupos de risco como os profissionais da saúde e segurança, idosos, cardiopatas, obesos, renais crônicos, imunodeprimidos, pessoas com doenças respiratórias, diabéticos, hipertensos, gestantes, crianças menores de dois anos e puérperas (mulheres que deram à luz há menos de 45 dias), além de pessoas que não apresentam sintomas (assintomáticos), especificamente os familiares de pacientes infectados ou dos mortos pela doença.
 
KABONG
A vereadora Anete Casagrande (PSDB), na sessão camarária da última segunda-feira (13), comentou o assunto elogiando a iniciativa, afirmando tratar-se de uma notícia importante e que “a Prefeitura deve fazer esses investimentos, visando atestar de forma mais rápida possível os nossos munícipes e promover os devidos tratamentos”. Anete, no entanto, repudiou as recentes manifestações do prefeito e secretários sobre a politização da pandemia. Segundo ela, “quem tem politizado toda essa situação tem sido o senhor prefeito e os seus secretários, que sempre que participam de programas em rádios, televisão ou nas próprias lives, não deixam de atacar o Poder Legislativo como um todo [...] É preciso que o senhor prefeito respeite essa Casa, respeite os vereadores e consequentemente o trabalho que cada um desenvolve [...] Para ser respeitado, respeite senhor prefeito”, finalizou a parlamentar.
 
SER E ESTAR
A coluna tratou deste mesmo tema na semana passada, e segundo consta, o governo não gostou nem um pouco do que leu. Gostar ou não gostar é um direito. E, com o devido respeito, a mim pouco importa. É necessário apenas deixar claro que este jornalista, apesar da amizade que tem há muitos anos com alguns integrantes e simpatizantes da Administração, assim como aconteceu em outras, jamais irá omitir-se diante de atitudes equivocadas. O preço da independência é bem alto e algumas pessoas ainda não compreenderam isto. Jornalismo não é publicidade. Em meus quase 50 anos e 28 de ofício, aprendi que o poder pode causar em algumas pessoas a falsa impressão de que os cargos que ocupam são eternos. Não. Nunca foram, não são e jamais serão. A vida é passageira e muito curta. Tudo nela é uma questão de perceber a sutil diferença entre “ser e estar”. É uma linha tênue, que infelizmente nem todos conseguem enxergar.
 
BOM TRABALHO
Criticado tecnicamente há algumas semanas por conta da dispensa de licitação para a aquisição de uma plataforma de Educação a Distância (EaD) por este colunista - que humildemente também atua há sete anos e possui especialização na área -, o secretário da Educação, Bruno Roza tem feito um bom trabalho à frente da pasta. Erros acontecem e devem ser corrigidos. Ele parece ter esta percepção. Muitos afirmam que ele possui um atributo importantíssimo a um gestor de pessoas: saber ouvir. Roza começou sua carreira no setor público chefiando o gabinete da vereadora Anete de 2013 a 2016, e em 2017, convidado pelo ex-prefeito Pedrinho Eliseu (PSDB) assumiu a secretaria Municipal de Administração, sendo guindado à Educação no ano passado por Júnior Franco.
 
INTERNET
As “lives” nas redes sociais tornaram-se uma febre. Em tempos de pandemia, o recurso tecnológico é inegavelmente uma ferramenta de comunicação essencial. O problema é quando um assunto se torna público e polêmico, ganhando proporções indesejadas. Na segunda-feira, chegou até este colunista um vídeo, aparentemente gravado numa transmissão de culto da Igreja do Evangelho Quadrangular (IEQ) de Araras. Nele, o líder da denominação, pastor Durvalino Brocanelli faz severas críticas a “um prefeito jovem que foi derrubado duas vezes”, referindo-se ao ex-prefeito Pedrinho Eliseu.

APOLÍTICA
Na gravação de 2 minutos e 12 segundos, o religioso declarou que “o povo da Quadrangular é um povo esclarecido, um povo que estuda a bíblia, estuda a palavra de Deus”. Entretanto, Brocanelli deixou claro o posicionamento político da instituição e foi contundente em afirmar que “a igreja não faz política, não faz politicagem”. Segundo ele, “a igreja faz um esforço para administrar a cidade e não tem nenhum interesse que uma pessoa seja eleita vereadora, vereador, e faça oposição, uma oposição barata, faz xingamento para prefeito, xingamento pra esse, pra aquele”, declarou. Recentemente, o também pastor e coordenador de Cidadania da igreja, Beraldi Filho, foi nomeado secretário municipal de Desenvolvimento Econômico de Araras.
 
FINAL
O vídeo é encerrado com um comentário do líder da IEQ. “O fato dele (Pedrinho) ser derrubado mais uma vez, dele morrer, dele ir preso, não é comigo. Isto é com aquele Todo-Poderoso (indicando o dedo para o alto) que o poder está nas mãos dele. É ele que domina, viu? Não tenho nada com isso. O meu dever é orar”, finalizou Brocanelli. Procurado pela coluna para comentar o conteúdo do vídeo, o ex-prefeito preferiu não se pronunciar sobre o assunto.
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Fredo Júnior

Fredo Júnior

Aprendiz da vida, editor do site de notícias O Independente, com expertise em Jornalismo, Gestão Pública, EAD e Mediação de Conflitos.

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