20/02/2020 às 14h15min - Atualizada em 20/02/2020 às 14h15min

UNIDADE DE SAÚDE DE ARARAS ULTRAPASSA FRONTEIRAS COM PROJETO DE ALFABETIZAÇÃO PARA A COMUNIDADE

Um olhar mais apurado foi a senha para que servidores do PSF Fermin Blanco criassem um espaço de transferência de conhecimento a pacientes que frequentam a unidade e não sabem ler e escrever

- Da redação
Com informações da Secom/PMA
Equipe PSF Fermin Blanco
A missão de um jornalista é informar.

Mas, sobretudo, um jornalista é um contador de histórias.

Em tempos sombrios, onde o respeito ao próximo vem perdendo a batalha para a intolerância e o descaso, um gesto pode mudar o mundo, tão fragilizado pela carência de bons exemplos.

O desafio permanente é enxergar o mundo de outra pessoa com olhos dela e não com os nossos. A isto damos o nome de empatia.

No serviço público de saúde há muito tempo uma palavra tem sido utilizada: humanização.

A agente comunitária de saúde Marise Fernandez Ferreira e a auxiliar de enfermagem Renata Cristina Pinto Serafim tiveram esta percepção e compreenderam que a essência da palavra servir vai além do trabalho de ambas na atenção básica da saúde pública.

Por conta da demanda de pacientes que não conseguiam ler receitas dos medicamentos, calendários de consulta e sempre solicitavam auxílio para as enfermeiras do local, elas desenvolveram um projeto de alfabetização que foi levado à chefe da unidade, a enfermeira Juliana Carolina dos Santos, que abraçou a ideia.

A partir daí, a equipe do PSF Fermin Blanco, localizado no bairro José Ometto II, zona leste de Araras, transformou uma sala da unidade em um espaço a ser utilizado para a  transferência de conhecimento a pacientes que frequentam a unidade e não sabem ler e escrever.

“Ler um livro, rótulos, medicações, orientar-se por placas são algumas das situações do nosso dia a dia. Hoje, nossa equipe está toda empenhada nesse projeto que une cada vez mais as pessoas”, comentou Juliana.

Roseane Lucimara é uma das pessoas atendidas pelo projeto. Aos 43 anos, casada e mãe de 3 filhos, ela contou à reportagem de O Independente que dexiou a escola quando era menina e o porquê de não ter voltado a estudar. “Eu tinha vergonha de ir à escola depois de adulta. Aqui no posto eu tenho amizade com as pessoas e me sinto bem”, comentou.

“A nossa intenção é fazer com que mais pessoas leiam e escrevam, conquistando dignidade e que consigam se relacionar cada vez mais”, declarou Marise, que além de agente comunitária de saúde,  também é formada em Pedagogia.

As aulas acontecem toda semana, às terças-feiras, das 13h30 às 15h30, com o apoio Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Coordenação da Estratégia da Saúde da Família.
Interessados em participar do projeto devem comparecer ao PSF para conversar com a equipe. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 3544-8559 na unidade de saúde.

A matéria seria finalizada neste ponto.

Seria.

Contudo, ela será encerrada com a transcrição de um pequeno, mas comovente e emocionante trecho da entrevista com Roseane.

- Qual foi o seu sentimento ao identifcar, ler e escrever a primeira palavra?
- Alívio.
- Por que alívio?
- Porque antes eu não conseguia entender as coisas...
 
“Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo.”
(Paulo Freire).
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