29/03/2019

CLÁUDIO GUERRA, EX-DELEGADO DO DOPS, AUTOR DO LIVRO 'MEMÓRIAS DE UMA GUERRA SUJA'

Brasil

Em tempos de relativismo ao horror da tortura, onde um presidente da República eleito democraticamete e seus seguidores cultuam um dos períodos mais cruéis e sangrentos da nossa história, este video vale a pena ser assistido.

O mestre Alberto Dines entrevistou para o Observatório da Imprensa, o ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) e ex-agente do Serviço Nacional de Informações (SNI), Cláudio Guerra, autor do livro "Memórias de uma guerra suja" e um dos assassinos que serviram à ditadura no Espírito Santo. Um relato chocante, porém necessário.

Abaixo, destacamos alguns trechos da entrevista.

"Não apenas os militares foram os vilões aqui desse período negro, mas os civis também estavam ligados. Não foi uma ditadura militar. Foi uma ditadura em que civis e militares usaram da violência." (Alberto Dines).

"Usaram da violência. Empresários se beneficiaram da revolução. Grandes empresários se beneficiaram. Participavam e davam prêmios pra quem executasse algum líder." (Cláudio Guerra).

"A grande verdade é que a revolução - o pessoal da Esquerda não aceita revolução, né? - mas se chamava revolução. O que que acontecia? Ela no início, o povo foi à rua, queria a revolução, o povo doutrinado por alguém e coisa, mas foram à rua, foram pedir. Os militares eram requisitados pra poder fazer isso. E naquilo alí havia o trabalho grande da CIA por trás influenciando as massas, havia. E era simpático na época. O que que aconteceu? Por que ganhou-se essas televisões e o direito de transmissão? Foi o governo. "Olha, vai trabalhar pra mim. Cê vai ter essa emissora mas vai fazer o que eu quero. Vai fazer? Vai." Foi assim." (Cláudio Guerra).

"Era a maneira de colocar a sociedade, o povo contra a Esquerda. Era essa a maneira. Foi uma estratégia deles. Inclusive eles se espelharam no que aconteceu na Argélia, aí espelhou pra aqui também. "Não, nós vamos fazer os atentados e o inimigo vai ter que ter sempre." E aí sempre tinha um inimigo. Acabou as guerrilhas, então fabricou-se inimigo (PCB). O episódio do Rio-Centro. Eu soube posteriormente que - nós panfletamos, pichamos as coisas lá como ALN (Aliança Libertadora Nacional), me parece. E depois, mais tarde eu soube que a ALN já tinha acabado quase toda. Mas isso eu não sabia na época. a gente recebia a ordem, ia lá e fazia. Eu soube mais tarde que a maioria já estava presa ou estavam mortos." (Cláudio Guerra).

"Alí eles se excediam, né? Perdiam o controle. Alí eles nem queriam matar, mas perdiam o controle, de raiva e exorbitavam mesmo, e passavam do limite e matavam pessoas." (Cláudio Guerra).

"Alí não tinha sido suicídio nada (a morte de Vladimir Herzog). Tinha sido mais uma burrada. Mais um morto sob tortura. Por que eu digo isso? Quem comandou aquilo prejudicou mais.O grupo de direita que queria trazer a simpatia da sociedade, do povo pra causa deles, foi justamente o contrário. Foi um tiro no pé que os caras deram." (Cláudio Guerra).

"Enterrava como indigente, fazia o nome trocado, essas coisas todas. Só que tava começando a aparecer. Aí eles queriam uma alternativa. Queriam o negócio do forno. Foi quando eu apresentei o Heli Ribero Gomes (ex-deputado federal e ex-vice-governador do Rio de Janeiro), dono da Usina Cambahyba, a eles. Ele já era conhecido. O entrosamento foi obra minha," (Cláudio Guerra).

"Não tenham medo da verdade. Que venham perante às autoridades e confessem o que fez, contar a história do que aconteceu. Eu pelo que eu conheço, pelo menos o que a lei fala, se não for mudada, que houve anistia pros os dois lados, tanto para a Direita quanto pra Esquerda. Os crimes tem mais de vinte anos. Pela nossa lei penal fala que está prescrito. Qual a condenação que tem pra nós? A condenação moral." (Cláudio Guerra).

"A imprensa tem um papel fundamental na busca da verdade." (Alberto Dines).

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