28/09/2019 às 15h42min - Atualizada em 28/09/2019 às 20h53min

MÉDICOS DE ARARAS DENUNCIAM ATRASO DA SANTA CASA EM REDES SOCIAIS

APM publicou uma nota pública sobre problemas com o pagamento dos profissionais que prestam serviços ao hospital

- Da redação
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Uma publicação atribuída à Associação Paulista de Medicina (APM), secção Araras, movimentou as redes sociais na manhã deste sábado (28).

Em seu perfil no Facebook, a entidade que representa os médicos na cidade, publicou uma nota pública sobre o atraso no pagamento dos profissionais que prestam serviços à Santa Casa de Araras.

O documento supostamente produzido pela APM, apresenta erros de grafia, o que levantou dúvidas acerca de sua origem. Contudo, o texto publicado expõe a gravidade da situação da principal unidade de saúde pública do município, citando a direção do hospital e a prefeitura.

A reportagem de O Independente, como reza a prática jornalística, procurou as partes envolvidas. Uma mensagem foi enviada ao provedor da Santa Casa, Eduardo de Moraes, mas até a publicação desta matéria ele não havia retornado ao contato.
 
Já a Secretaria de Comunicação Social Institucional da Prefeitura de Araras informou que "não houve nenhum atraso nos repasses contratuais para a Santa Casa. Aliás, o prefeito Júnior Franco, preocupado com a situação da Santa Casa e disposto a colaborar, sempre atendeu os pedidos inclusive de adiantamentos, quando solicitados.”
 
O Independente conversou com a médica Júlia Martins Bonilha Spirandeli, presidente da Regional APM Araras. Ela confirmou a veracidade da nota e informou que na próxima semana a entidade fará uma declaração oficial sobre a denúncia.
 
Abaixo, a transcrição da nota em sua íntegra, conforme publicado nas redes sociais.
 
“A APM – Associação Paulista de Medicina – Secção Araras, vem por meio desta carta contextualizar uma situação que ocorre na Santa Casa de Araras.
FALTA DE PAGAMENTO SE ARRASTA HÁ MAIS DE UMA ANO
Historicamente, os médicos de Araras, sempre trabalharam em prol da população.
Ao longo de anos, os médicos se propuseram a trabalhar na Santa Casa, atendendo ao SUS - Sistema Único de Saúde, com sua remuneração muito abaixo dos valores de Mercado, como forma de colaborar com seu papel na sociedade.
Porém, como parte do conjunto, todo trabalho tem uma remuneração. Assim ocorre com os plantões presenciais ou à distância, as consultas e os procedimentos cirúrgicos.
Porém, nos últimos anos, tornou-se política da Instituição Santa Casa de Araras, sistematicamente, o atraso dos pagamentos pelos serviços médicos, como os
Salários por plantões in loco, pagamentos por plantões em disponibilidade e pagamentos por procedimentos realizados pelos convêniso atendidos pela entidade, entre ele o convênio São Luís .
O dinheiro referente a esse honorários médicos, foram sendo utilizados para cobrir outras necessidades da entidade.Ou seja, sistematicamente, uma parcela das contas do funcionamento da Santa Casa de Araras vinha sendo paga com dinheiro proveniente dos honorários médicos.
Atrasava-se o pagamento de início.
Depois, simplesmente deixou-se de pagar.
Na sequência, os pagamentos do Convênio São Luiz Saúde deixaram de ser pagos, fato ocorrido por 3 meses consecutivos em 2018.
Todos esses atrasos, sem haver a paralização no atendimento, por parte dos médicos .
Houve a mudança no CNPJ, e surgiu a Associação São Luiz, que é o novo nome do convênio da Santa Casa.
Desde então o pagamento começou ocorrer sem data definitiva, dentro do mês de recebimento. Mas ficaram os 3 meses de trabalho médico do convênio São Luís de 2018, sem pagamento até o momento.
Negociamos com a nova administração, da Santa casa de Araras e o acordo foi que honrariam desta data a diante os pagamentos mensais e quando saísse um empréstimo financeiro para Santa Casa, haveria a quitação dos pagamentos atrasados. Este fato deveria acontecer até dezembro de 2018, mas Infelizmente não ocorreu , pois o empréstimo não foi concluído .
No final do ano, época de festas, plantões de Natal e Ano Novo, mais pagamentos de dias trabalhados não pagos.
Muitos colegas foram se afastando dos plantões.
Novas negociações ocorreram.
Comunicamos a Secretaria Municipal de Saúde, o Ministério Público, e a prórpria Administração da Santa Casa.
ANUNCIAMOS UMA PARALISAÇÃO.SEM COMPROMETER OS ATENDIMENTOS DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA.
Houve um pedido de paciência, colaboração e mais tempo para que as medidas de saneamento
das contas trouxessem o resultado esperado, e o empréstimo pudesse sair.
Nesse tempo, impostos foram pagos, que limitavam as condições de pleitear um novo empréstimo junto aos bancos, para a Santa Casa.
Os médicos, concordaram em dar mais um voto de confiança.
Continuaram trabalhando, com salários atrasados e uma promesssa de pagamento sem data definida.
Infelizmente, em Maio, por um desacordo entre a Santa Casa e a Prefeitura, mais 2 meses de atrasos salariais .
Após estabelecido o novo contrato para o atendimento entre a prefeitura e a Santa casa nova promessa dos pagamentos serem efetuados .
AApm foi a Prefeitura negociar, os 2 meses atrasados . O Prefeito nos apoiou, mas, infelizmente, não foi cumprido o prazo de 40 dias para liberação desses atrasados.
Neste mês novos atrasos.
Nesta semana a notícia que "imprevistos” fizeram com que a Santa Casa novamente ficasse sem o dinheiro proveniente de honorários médicos para efetuar o pagamento.
É lastimável.
É inaceitável.
A saúde é um trabalho de várias categorias profissionais, inclusive o médico.
Os médicos são empregados sem salário, sem benefícios trabalhistas na maioria dos vínculos,
Sem contrato assinado...
E os administradores agem como se os médicos fossem descartáveis ...
O trabalho médico é baseado no cuidar das pessoas, tornando a vida delas menos sofrida, curando doenças, salvando vidas, evitando mortes.
Os médicos querem ajudar a resolver a situação, estão abertos à discussões, mas todos têm contas a serem pagas e apenas um pedido de colaboração sem haver remuneração torna inviável a manutenção dos serviços médicos.
Os médicos estão abertos para negociação, mas julgam que a população de Araras merece o respeito e deve estar ciente da situação que a classe médica está enfrentrando.”
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