30/04/2019 às 19h30min - Atualizada em 30/04/2019 às 19h30min

MATERIAL DE ESCOTEIROS DESAPARECE DO CENTRO DE CONVIVÊNCIA DA TERCEIRA IDADE EM ARARAS

Sem avisar, Prefeitura retirou equipamentos do grupo que tem sofrido com a pouca boa vontade da Administração

- Da redação
O Independente
O Grupo Escoteiros do Ar Capitão Aviador Fabrício Carvalho, que desenvolve suas atividades no Centro de Convivência da Terceira Idade Hilda Masson Bordin Marretto aos finais de semana, tomou um susto no último sábado (27). Ao chegarem para os trabalhos, os escoteiros foram surpreendidos com os vestiários completamente vazios. Seus materiais e equipamentos sumiram.

A presidente do grupo, Roseli Ricci, informou à reportagem que os escoteiros haviam feito a arrecadação de roupas, as quais seriam entregues ao FUSS (Fundo Social de Solidariedade), mas criticou a ação da Prefeitura em levar os equipamentos e materiais. “Arrecadamos as roupas para serem doadas ao FUSS. Solicitamos que viessem buscar. Mas é óbvio que não pedimos para sumirem com as nossas coisas. É inadmissível chegarmos para as nossas atividades semanais e darmos de cara com uma situação dessas. O que aconteceu aqui foi um desrespeito muito grande. A Secretaria de Promoção Social agiu de forma ditatorial”, disse.

Procurada pela reportagem, a secretária de Ação e Inclusão Social, Marilda Gentile Fachini apresentou a sua versão dos fatos. “A Rose autorizou que tirasse as roupas de lá e entregasse ao FuSS (Fundo Social de Solidariedade). Falou isso para a primeira Dama. Foi o que fizeram. Sobre o espaço, já havia dito que era inapropriado e solicitei que encaminhasse o oficio para o  prefeito para a destinação de outro espaço. Depois que foram tiradas as roupas, efetuaram a limpeza porque o local estava sujo e com mau cheiro, acumulando bichos peçonhentos”, declarou.
 
PROBLEMAS ANTIGOS
Fundado em 2013 e inscrito na União dos Escoteiros do Brasil (UEB 386), o grupo formado por 35 integrantes foi alocado no Centro de Convivência da Terceira Idade Hilda Masson Bordin Marretto há dois anos, no início da gestão do ex-prefeito Pedrinho Eliseu. “Mesmo não sendo um espaço adequado para desenvolvermos as nossas atividades, tendo em vista a ausência de manutenção e segurança, continuamos o nosso trabalho voluntário como sempre fizemos, contando com a ajuda das famílias dos escoteiros e da iniciativa privada”, declarou Ricci.

Coincidentemente, no final de semana passado, a coluna Mosca na Sopa publicou uma nota sobre a saída do grupo do lugar. Na sexta-feira, a coluna também entrou em contato com a Secretária de Ação e Inclusão Social para saber a razão da medida. Segunda ela, a detecção de um foco de dengue onde o grupo guardava as suas coisas teria sido o motivo. Marilda, porém, afirmou que “a situação insalubre já havia sido resolvida”.

Entretanto, os escoteiros alegam não terem sido informados sobre o suposto foco. “Não recebemos notificação alguma. A secretária disse apenas que foram encontrados copinhos plásticos espalhados ao lado do lugar onde guardamos nosso material. Mas não apresentou documento algum. A verdade é que este lixo nunca foi nosso. Até porque o escoterismo tem como seus pilares o respeito ao meio ambiente e à cidadania. Esta área do campo é utilizada por outras pessoas durante a semana. Todos sabem disso. É delas que a Prefeitura deveria cobrar a limpeza deste lugar que está um caos”, disse a presidente do grupo.

Rose afirma que de alguns meses para cá a situação agravou-se. “Depois da posse do novo prefeito as coisas pioraram. Chegou ao ponto da nossa entrada no local ter sido impedida. Esta situação de proibição de entrarmos já está se arrastando desde o dia 09 de março. Na ocasião não havia a desculpa do alegado surto de dengue. Houve até uma troca de acusações entre o caseiro e a secretária de Ação e Promoção Social. Ela dizendo que não houve ordem de proibição para a nossa entrada e o caseiro alegando o contrário.”

No Centro de Convivência da Terceira Idade também funciona o Projeto Revelação, detentor de uma concessão pública de uso pelo prazo de cinco anos (2015-2020). Informações preliminares indicavam uma possível ingerência do ex-vereador Éder Müller, diretor esportivo do projeto. Este, por sua vez, também à coluna Mosca na Sopa, negou ter havido algum pedido para que o Grupo Escoteiros do Ar Capitão Aviador Fabrício Carvalho deixasse o local. Müller afirmou que “a iniciativa teria partido exclusivamente da própria Secretaria de Ação e Inclusão Social.”

A reportagem de O Independente esteve no local e constatou a situação de abandono do lugar.

Especificamente sobre a alegação do foco de dengue, chamou a atenção o fato de que o local onde eram guardados os materiais e equipamentos do grupo e apontado como sendo um foco, se tratar de uma área fechada e coberta, sem indício aparente de se tratar de um criadouro da doença.

O fato curioso e extremamente preocupante é que a poucos metros do prédio onde funciona o Centro Dia do Idoso, freqüentado diariamente por dezenas de senhoras e senhores, existe uma piscina com água parada e sem os mínimos sinais de limpeza. Um potencial criadouro, que pode ser um foco de dengue. Contudo, este detalhe foi negligenciado pelos responsáveis.  

Por fim, a pergunta que precisa ser respondida é: se o local foi identificado como um foco do mosquito transmissor, por que apenas as atividades do Grupo Escoteiros do Ar Capitão Aviador Fabrício Carvalho foram suspensas? Não teria sido prudente cancelar todas as demais? A coluna Mosca na Sopa já havia solicitado à secretária Marilda Gentile Fachini e ainda aguarda uma cópia da notificação da insalubridade supostamente detectada no local. Depois da publicação desta matéria indicar um possível criadouro,

O Independente espera por todas as informações necessárias para esclarecer este caso.
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