21/02/2020 às 14h14min - Atualizada em 21/02/2020 às 14h14min

POR QUE O DÓLAR ESTÁ TÃO ALTO E POR QUE NÃO DEVE REDUZIR TÃO CEDO?

Pedro Felipe Santos
Uol
A economia brasileira passa por uma transformação importante e que deverá ser duradoura em termos de consequências.
 
Diversas reformas são colocadas em pauta e a balança financeira reage a tudo isso. Uma dessas pautas é o aumento do preço do dólar em relação ao real. As notícias sobre isso são recorrentes. No dia 20 de fevereiro o dólar turismo chegou a R$4,83.
 
Mas por que afinal o dólar está tão caro?
 
Consta-se, a priori, que não é a primeira vez que esse dilema se inseriu em nosso país. Em 2002, por exemplo, o dólar chegou a valer R$3,90, ou mais de R$7 ajustando aos dias de hoje. Mas, convenha-se que o contexto era diferente, época de pré-eleição e um risco de que a vitória do governo Lula romperia com o mercado financeiro. Mas o que se viu foi justamente o contrário.
 
Por conta disso, o dólar estabilizou-se atingindo R$1,53 em 2011 (ou R$2,33 ajustando aos dias de hoje), em uma política de valorização das importações de derivados e tecnologias.Então para aqueles que querem ver o dólar baixo a partir dos próximos anos, é possível imaginarmos um roteiro baseado no passado?
 
A resposta é que é muito difícil, principalmente com o rumo que o mercado financeiro tem tomado, auxiliado pelas decisões frias e recheadas de comentários grotescos do ministro da Economia, Paulo Guedes.
 
Qual a justificativa do dólar alto ser tão satisfatório para o governo?
A primeira delas é o fator exportação. Nitidamente o governo quer produzir e enviar para fora seus insumos, vide o gado e o combustível, por exemplo (fazendo o preço interno disparar, por sinal). Com o dólar alto, fica uma pechincha comprar matéria-prima bruta do Brasil. Isso aumenta a reserva em dólares e permite uma taxa de juros mais baixa.
 
Outro fator é o social. Há uma forte tendência em definir e desenhar a capacidade de compra dos brasileiros. A forte declaração de Guedes indignado ao ver que domésticas iam à Disney não veio à toa.
 
Ao seu ver, é necessário definir e deixar claro quem serão os empregadores (investidores) e os trabalhadores (aqueles que apenas cumprem ordens), e a probabilidade de que os empregadores nem brasileiros sejam é grande. Se pudessem escolher, trariam apenas os norte-americanos em uma espécie de aluguel do Brasil, como já alertava Raul Seixas, na canção “Aluga-se”.
 
Tudo leva a crer, portanto, que o aumento do preço do dólar seja algo duradouro e seu crescimento constante no Brasil, ao menos que o rumo da democracia mude e atenda à política de valorização do nacionalismo e da fortificação das economias das bases, gerada por cada pessoa que compõe o Brasil, inclusive aqueles que leram esse artigo até o final e estão preocupados com o desenvolvimento do nosso país, seja estes defendendo a valorização do real ou não perante as moedas estrangeiras.
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Pedro Felipe Santos

Pedro Felipe Santos

Pesquisador da Faculdade de Ciências Aplicadas de Limeira, Mestrando em Administração e Economia e Graduado em Administração Pública pela Unicamp .

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